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Edicão 90 - Edição Especial - 10 anos da revista Design Gráfico

Artista? Não. Ilustrador.
“É preciso acabar com a imagem, ainda enraizada no mercado,
do ilustrador como artista inconseqüente, personalista, pouco organizado, sem planejamento
e que faz toda sua “maravilhosa” criação em momentos de inspiração, intuição e feeling”.
Rubens Lima  

Por Maria Edicy Moreira

 “Arquiteto por formação, designer gráfico por opção e ilustrador editorial por paixão”. É assim que se define Rubens Lima, um defensor da profissionalização da ilustração.

“Desculpem-me os puristas, mas a era do artista criativo, mas “avoado” acabou. Procuro deixar de lado esta visão purista e assumir a ilustração como negócio, uma visão mais profissional e comercial”. É preciso acabar com a imagem, ainda enraizada no mercado, do ilustrador como artista inconseqüente, personalista, pouco organizado, sem planejamento e que faz toda sua “maravilhosa” criação em momentos de inspiração, intuição e feeling”.

Segundo Lima, falta uma visão profissional da atividade, visão esta que deve partir do próprio ilustrador. Além da parte técnica, ele deve entender que seu objetivo quando contratado não é “fazer uma ilustração bacana”, mas sim "prestar um ótimo serviço", algo bem mais amplo do que fazer uma ilustração de qualidade, pertinente ao tema e entregá-la.
Ótimo serviço significa entender e atender todas as expectativas do cliente em relação ao trabalho e à sua atuação profissional demonstrando envolvimento efetivo com o projeto. “Muito mais gratificante que desenvolver a ilustração para o cliente é desenvolvê-la junto com o cliente, seja ele um autor de livros, um jornalista ou um designer”.
Além desses requisitos de profissionalismo, o ilustrador diz que é preciso saber agregar outros atributos à criatividade e às técnicas de trabalho que por si só já não fazem a diferença. É preciso levar em conta boa cultura geral para facilitar o entendimento e a posterior tradução de qualquer assunto em linguagem visual adequada, boa comunicação oral e escrita, maturidade (independente da idade) e visão do mercado para se definir e posicionar como profissional.
Lima atua principalmente no segmento editorial e procura não se prender a um estilo ou linguagem, para ser capaz de desenvolver linguagens multidisciplinares que se encaixassem nas necessidades e projetos de cada cliente. “Sem ter um estilo “Rubens Lima”, posso oferecer ao cliente a opção de variar de estilo, sem ter que trocar de ilustrador. Afinal, se considero o ilustrador um tradutor visual, é compreensível que defenda que ele fale várias línguas”.

Ilustração x arte

A ilustração faz parte do Design gráfico? Essa é uma pergunta que muitos fazem e que Lima faz questão de comentar sobre o assunto. Segundo ele, ilustração é design gráfico. E é interessante lembrarmos que os primeiros projetos que podemos chamar de design gráfico no Brasil, principalmente na área editorial, foram desenvolvidos por ilustradores como J. Carlos, Guevara, Paim, Santa Rosa, entre outros.
“A ilustração é muitas vezes relacionada à arte, mas não deve ser confundida com ela. Sempre me deixou meio contrariado ouvir a frase: “Aaah, você que é o artista?” Minha resposta deixa alguns clientes confusos: “Não, não...sou o ilustrador”. Existem diferenças básicas entre os conceitos de artista e de ilustrador”.
Lima observa que os artistas pertencem ao mundo da arte e ilustradores e designers ao mundo da comunicação. Ou seja, a ilustração tem de ser baseada em objetivos claros de comunicação; enquanto as artes plásticas exploram, de maneira criativa, ambigüidades de conceitos e sensações visuais, explorando e às vezes o indefinido.
Para ele, na ilustração existe o maravilhoso e difícil desafio de traduzir em linguagem visual idéias de outrem — do jornalista, do autor, do cronista, do publicitário — enquanto na arte o artista plástico expressa seus próprios sentimentos, opiniões e conflitos. O ilustrador busca satisfazer os objetivos de seu cliente e o artista é (ou deveria ser) seu próprio cliente.
Ao contrário do que muitos pensam Lima não considera a ilustração uma tradução de um texto, mas um elemento que envolve o leitor no clima da leitura. “Vejo as ilustrações com exceção dos infográficos, claro, não exatamente como elemento para explicar um texto, mas sim para envolver o observador com o assunto, em linguagem atual “deixá-lo no clima”, pronto para absorver melhor o texto ou as idéias apresentadas”.

O início

O desenho fez parte de toda a infância de Lima e acabou se tornando uma constante (e agradável) forma de comunicação. Na fase seguinte, a influência dos quadrinhos foi vital para despertar a paixão pelo traço e pela narrativa visual. Companheiro persistente, na adolescência, o desenho tornou-se seu hobby e passatempo e na juventude acabou sendo também determinante para sua escolha acadêmica: A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU-USP).
A FAU tem por conceito básico o ensino multidisciplinar e no currículo logo se interessou muito pelas disciplinas ligadas à comunicação visual, principalmente as ministradas pelo professor e designer Francisco Homem de Mello. A partir daí foi abandonando as plantas, cortes e fachadas e focou suas atenções na procura de estágios na área de artes gráficas.
Em 1995, em seu segundo estágio na área de design, no escritório Adesign, a proprietária do escritório, Carin Ades, percebendo que tinha bom traço, amor pelo desenho e uma vontade enorme de criar ilustrações profissionalmente, lhe deu a oportunidade de ilustrar a publicação semanal Folha Management, uma parceria entre a Folha de São Paulo e a HSM Management.

Estúdio Virtual

Em 2006 Lima quer ampliar seu leque de atuação. Ele conta que no final de 2005 foi contatado por vários jovens ilustradores, de diferentes regiões do Brasil, que conheceram seu portifólio no site www.rubenslima.com.br e se mostraram interessados em colaborar com seu trabalho. Assim para 2006 ele planeja organizar uma espécie de estúdio virtual, mantendo contato com quatro ou cinco destes talentos, para trabalharem juntos em projetos específicos relacionados ao perfil de cada um.
“Essa colaboração me permitirá oferecer uma maior diversidade de estilos e linguagens aos clientes, ao mesmo tempo em que dará oportunidade para estes talentos espalhados pelo Brasil, e às vezes sem muita chance de aparecer, de terem contato com clientes e projetos de um centro importante e de perfil extremamente profissional como São Paulo. É uma idéia embrionária ainda, está em seu começo, mas torço para que dê certo”.

site: www.rubenslima.com.br
e-mail: contato@rubenslima.com.br

Veja a reportagem completa na edição 90 de abril de 2006 - nas bancas!

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